quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

TEXTO - MUNDO DO PERSONAGEM
Para entrar no meu mundo eu ativo o botão vermelho que esta no pequeno dispositivo que eu carrego sempre comigo, ele faz com que desça um pedacinho do meu lar, é como se o meu mundo estivesse vindo ao meu encontro para me acolher. Assim que a superfície toca o chão eu me desloco para o centro dela e começo a cantar... Através da minha voz o dispositivo de segurança ao lado ativa a plataforma que lentamente vai me levando ate o meu mundo, esta velocidade me faz sentir como se eu estivesse me despedindo do mundo exterior, é como se todo sofrimento, e julgamentos estivessem sendo deixados para traz. Ao adentrar em meu mundo a primeira coisa que vejo é meu espaço para alimentar, é simples e muito prático, tudo esta a minha mão, se eu quero beber algo é só girar o conjunto e parar no espaço de refrigerar, se eu desejo cozinhar giro novamente e paro no artificio que com a intensidade das minhas palmas gera fogo, se preciso higienizar as mãos ou lavar algo eu rodo ate achar o compartimento que acopla um orifício que sai água e neste mesmo conjunto tem um compartimento para guardar utensílios para preparar as refeições. Quando adentro o espaço eu me deparo com um espaço todo vermelho, as paredes são acolchoadas, e o chão é revestido de veludo. A cor vermelha me proporciona um conforto muito grande, me fazendo sentir mais viva, mais alegre e acolhida. Este é o local do meu mundo que eu mais gosto, minhas principais atividades são feitas ali, na parede do lado esquerdo deste ambiente, onde existe uma série de surpresas, eu puxo um retângulo que esta localizado ao centro e eis que surge o local onde eu me alimento, e ao levantar o retângulo menor que esta um pouco abaixo eu tenho o local onde eu me acomodo para alimentar. É um ótimo espaço, minha mãe sempre vem me visitar depois que eu chego do trabalho e ali nos tomamos o nosso café da tarde como de costume, ela me conta as histórias de suas vizinhas que por sinal são bem divertidas e logo depois mamãe vai embora. Mas não fico muito tempo sozinha, minha melhor amiga sempre vem me visitar trazendo consigo uma energia boa que me faz sentir bem.  E eu a convido para se juntar a mim no meu circulo gigante que esta localizada ao fundo do espaço, este é um lugar muito acolhedor, a forma circunda une nossos corpos, o conforto do local ajuda a relaxar, nossa conversa rende muito mais, ela me conta às novidades, os nossos corpos ficam conectados, e ali temos uma liberdade muito grande, é como se todos os segredos pudessem ser guardados naquele cantinho, gosto de desabafar nele mesmo quando estou sozinha.
Quando preciso me higienizar eu vou ate a parte móvel da casa, me ajeito na superfície elevatória e começo a cantar, quando a superfície trava no andar superior eu vejo um reservatório de água ao fundo, ele é revestido de vidro, e tem um formato em pequenas curvas que acolhem meu corpo, me sinto abraçada quando faço uso deste, a água me envolve, sinto-me em um leito de ondas. No teto há um pequeno espaço de vidro com cores distintas, elas executam a cromoterapia que através do uso das cores, me mantém calma e descontraída. Eu uso o reservatório de água para me higienizar e descarregar as energias negativas do cotidiano, e ainda aproveito para seguir a recomendação médica e faço exercícios para fortalecer a perna. Ao lado do reservatório de água tem um dispositivo com um botão vermelho que quando acionado faz movimentar horizontalmente um artificio de vidro que se posiciona no espelho d’água e permite que a água caia sobre minha cabeça, ela é fria e parece me purificar, a sensação da água tocando o meu rosto me faz sentir bem e mais energizada, é como se toda negatividade e monotonia do meu dia estivessem sendo esquecidas. Atrás do recipiente de água tem o espelho d’agua que faz um barulho muito relaxante, fecho meus olhos para sentir e acompanhar o doce barulho da água. Neste espelho D’agua tem um artificio fixo que direciona a água para que eu possa higienizar as mãos.
Após me higienizar eu desloco para o espaço onde eu me produzo. Minhas vestimentas, sapatos, joias e maquiagem estão todas próximas e bem acessíveis. As joias e maquiagem estão em um recipiente acoplado a um caixote de madeira, a tampa é de vidro para facilitar a visualização dos objetos, e ao olhar na altura dos olhos tem um espelho para refletir a transformação gerada. Ao lado direito tem um grande caixote onde guardo minhas roupas, e ao lado disto tem uma extensão da parede que é onde eu eternizo os meus momentos de glória, guardando meus troféus e medalhas da minha época de ginasta. Na direção deste artificio tem uma passagem secreta... Quando eu aperto um botão localizado à direita da abertura, ela se abre formando um ângulo de noventa graus entre ela e a parede, é uma pequena extensão do meu mundo, eu posso sair e ficar sobre ela, posso sentir a brisa e explorar um pouco do mundo externo, porém, me sinto protegida por ainda estar em meu mundo. Ao olhar a minha direita vejo minha parede de plantas, elas me fazem lembrar das historinhas de conto de fada, onde o príncipe ia até as altas torres cobertas de vegetação para resgatar a princesa indefesa. Elas também ajudam a manter a temperatura interna mais agradável e a vedar a entrada de luz. Ao lado da parede de plantas tem grandes painéis com pequenos vazados que permitem a circulação efetiva do ar, os vazados são pequenos me permitem ver o exterior e dificulta a espionagem de quem esta de fora e quer ver o que se passa aqui dentro, e, além disso, faz com que entre luz moderadamente. Este artificio esta em toda fachada da casa, em casos de chuva tem placas de vidro na parte esquerda que são de correr e vedam os orifícios se necessário.

Após me produzir, eu desloco até a parte móvel e me acomodo no assento acolchoado, no lado esquerdo tem uma tampa de um compartimento onde ficam os materiais necessários para cuidar da manutenção da perna mecânica e para higienizar o coto da perna. Executo os procedimentos necessários e desço com a parte móvel novamente, sempre cantando devido ao sistema de segurança. Este sistema além de resguardar a identidade do meu mundo, contribui para que eu me alegre, eu canto e espanto as tristezas e isto me ajuda a não sentir-me sozinha. Quando chega o momento de descansar, me desloco sobre um tapete de veludo vermelho e puxo uma alavanca que esta na parede acolchoada, esta alavanca destrava o artificio que desce lentamente, é um acolchoado agradável e muito confortável, ali eu me deito para repor minhas energias.

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